Idanha?

A meio caminho entre Lisboa e Madrid, o Concelho de Idanha-a-Nova não podia estar melhor localizado. Com a auto-estrada da Beira Interior (A23) e o IC31 até à fronteira das Termas de Monfortinho, dispõe actualmente de boas acessibilidades, a apenas 286 km de Lisboa. Pela autovia Cória/Navalmoral de la Mata e Cáceres, são apenas 320 km até Madrid e muito menos até Cáceres, Badajoz e Salamanca. No seu interior, apresenta uma rede de estradas nacionais e municipais em bom estado de conservação.

Hoje, como outrora, Idanha-a-Nova está no centro da Península Ibérica.

De uma maneira simples, podemos dizer que a Arqueologia é uma forma de história onde se procura reconstituir o processo pelo qual se criou o mundo em que vivemos. Todos os dados Arqueológicos (ou artefactos) constituem expressões de pensamento e de finalidades humanas que foram expressas por acções e alterações no mundo material. O concelho de Idanha-a-Nova é afortunado em dados arqueológicos. Através deles conseguimos identificar preciosos "modus vivendus" dos inúmeros povos que por aqui passaram e contribuíram para uma mais valia cultural.
A partir de 1903 Félix Alves Pereira e Francisco Tavares Proença Júnior (e depois destes muitos outros ilustres lhes seguiram) iniciaram a primeira fase de observação directa e a descrição de vestígios arqueológicos em Idanha-a-Velha. Esta verdadeira aldeia museu que encerra em si um espólio patrimonial e cultural dos mais ricos do país. Mas, esta riqueza não fica circunscrita unicamente a Idanha-a-Velha, podemos encontrar outros dados arqueológicos em Idanha-a-Nova, Oledo, Rosmanhinhal, Medelim, S. Miguel d' Acha, S. Pedro de Vir-a-Corça (Monsanto)...
Um valiosíssimo tesouro encerrado nas inúmeras capelas que abundam pelo concelho. Magnificas talhas douradas, retábulos, imagens de Santos e da Virgem, painéis de pintura, vias sacras, entre muitos outros vestígios que traduzem a fé e as manifestações religiosas da sociedade portuguesa de há muitos séculos atrás.

No concelho de Idanha-a-Nova destacamos a verdadeira obra de arte em que consiste o retábulo de talha dourada e as pinturas em madeira do séc. XVI que se encontram na Igreja da Misericórdia de Proença-a-Velha, a imagem da Senhora do Leite, esculpida em calcário de Ançã, é uma das imagens mais perfeitas e em melhor estado de conservação em relação às suas congéneres, pode ser vista e admirada na Igreja Matriz de Penha Garcia, a não perder igualmente os painéis maneiristas da Igreja de Idanha-a-Nova e as imagens da capela do espírito Santo da Zebreira.

Até há bem pouco tempo, não havia, certamente, casa mais humildade ou solar mais afamado, que não tivesse uma "baixela" de loiça de barro. Lamentavelmente, desta bonita actividade, restam apenas, em Idanha-a-Nova, alguns fornos de olaria que dão nome a um bairro pitoresco desta vila. Mas, também na Zebreira a olaria era uma indústria rural, transmitida de pai para filho. Ambas as localidades apresentam modelos de fabrico semelhantes, diferido apenas em alguns aspectos de ordem técnica, nomeadamente na limpeza do barro e na impermeabilização das peças.

A olaria não ficou circunscrita às paredes das oficinas, saltou para as ruas onde através de várias quadras populares são entoadas em tom de graça "Meu amor é da Arraia / na Arraia é louceiro. / Já me fez um pucarinho / Pra eu regar o craveiro".
Sensível a factores como a emigração, competição de novos materiais mais flexíveis e duradouros e dificuldade de adaptação a novos processos de fabrico (entre muitos outros aspectos), a Olaria do concelho de Idanha-a-Nova praticamente foi extinta após a década de 60.

Numa tentativa de preservar e evitar um esquecimento colectivo desta indústria, foi editado pelo Centro Cultural Raiano uma obra intitulada "Oleiros de Idanha" baseada numa excelente recolha de campo que poderá visitar, em exposição permanente, no mesmo Centro Cultural.

Uma grande variedade de Artesanato predomina por todo o concelho, sendo, o mais conhecido, o adufe. Instrumento musical de origem árabe, ligado a rituais mágico-religiosos das culturas de tipo pastoril, feito de pele de ovelha, em que como refere a canção "quem houver de tocar nele, há-de ter a mão ligeira".

As marafonas são também outro tipo de artesanato muito fácil de encontrar (especialmente em Monsanto).Trata-se de uma boneca de trapos, com traje regional, sem olhos, nem boca, nariz ou ouvidos. Uma espécie de semi-deusa à qual se apela à protecção nas trovoadas e que para outros populares tem, igualmente, a função de protecção à felicidade conjugal.

Durante a festa do castelo (Monsanto), cabe às raparigas solteiras transportarem no cortejo as suas marafonas. Por sua vez, Ladoeiro oferece-nos as bonitas rendas dos nózinhos, Salvaterra do Extremo com a renda de duas e cinco agulhas, as rodilhas, as cadeiras de palha, a arte pastoril (trabalhos executados em madeira, cortiça e chifre), a tecelagem e ainda a olaria. Uma particular atenção para o importante papel que o Centro de Artes Tradicionais de Idanha-a-Nova desenvolve neste momento procurando, deste modo, preservar e manter vivas técnicas ancestrais características desta região.

Nota Importante: Como o Artesanato deste concelho é muito semelhante, de freguesia para freguesia, o texto abaixo refere algumas peças de artesanato existêntes no concelho.

Dando forma a diversas expressões culturais, podem ser encontrados no concelho de Idanha-a-Nova variados tipos de artesanato, abrangendo práticamente todos os materiais disponíveis.

Derivados do modo de produção rural, foram sendo criados produtos visando, essencialmente, a respectiva utilidade prática. Por outro lado, acompanhando a evolução da vida social e o bem-estar, foram surgindo produtos de efeito mais decorativo.

Nuns e noutros se espelham o engenho, a criatividade e a aplicação do saber feito de experiência e cultura, transmitidos de geração em geração. Trata-se de um património cultural, de valor incalculável, que é urgente defender através da divulgação e adequada comercialização.

+ Informações em http://www.cm-idanhanova.pt/